|---* Madrugadas no Divã *---|


[ Eu por mim mesma ]

*By Cristine*

Meu nome é Cristine, tenho 22 anos e sou de Goiânia-GO. Virginiana, completo invernos dia 21/09. No horóscopo chinês, sou de dragão. Apaixonada por prazo indeterminado. Sou louca, depressiva, exagerada, dramática, emotiva... Ou seja, todas as qualidades de uma verdadeira poeta. Mas também sou consciente. Obviamente, gosto de ler e escrever, curto mangás/anime, ociosidade, filmes alternativos e meus amigos. Odeio tomate, Bob Esponja, acordar cedo, pessoas sem originalidade, falsos e hipócritas.

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[Sexta-feira, Agosto 26, 2011]

Por que tenho medo de ter uma vida normal? Medo de casar, constituir família, ter um empreguinho das 8 às 6, etc. Nem eu sei. Talvez porque uma vida normal significa riscos maiores do que enfiar a mochila nas costas e sair perdida no mundo. São vínculos, raízes que podem ser arrancadas do nada, em um piscar de olhos. O marido pode arranjar outra, os filhos podem te ignorar depois dos 20, o patrão pode te dar o pé na bunda. É muito mais fácil ser errante, sem ter essas preocupações mundanas de estabilidade. Estabilidade é um estado passageiro, que desaba como um castelo de cartas quando você menos espera. Me apavora a idéia de amar alguém tão intensamente que eu abra mão de tudo por esta pessoa, já que sei muito bem onde isso vai parar: nas lágrimas e no desespero. Não consigo deixar todo o meu medo de lado para tentar construir uma vida normal, que significa muito mais conflitos do que enfrentar a escalada do Kilimanjaro ou a travessia do Deserto do Atacama. Por isso, faço de tudo para parar de sentir, para não me envolver. Eu não quero me envolver e sofrer depois. Tudo pode dar errado em um relacionamento, não há plano ou expectativa à prova de falhas. O que eu faço, então? Pego aquela mochila e vou enfrentar as intempéries da natureza.

redigiu este post às 2:38 AM




[Sexta-feira, Março 04, 2011]

Um dia eu amei, mas acho que me esqueci como se faz isso. Foi culpa de quem? Eu também já fui poeta, e não me lembro ao certo como continuar a ser. Foi culpa minha? Esperava entender os mistérios da humanidade, até me contentar em entender apenas a mim mesma. Falhei homericamente nesta tarefa, e me envergonho de ter desistido tão cedo...
Eu deixaria você me amar de novo, mesmo sem saber as consequências disso. No intervalo de tempo separados, houveram outros amores, para ambos. E no fim das contas, o destino cruél nos traz de volta, desastradamente, mas sempre, tão sempre... Senti que tudo poderia ser lindo de novo, por mais medo, por mais variáveis que podem estragar tudo. Eu fui feliz por mais tempo com você do que em qualquer outro momento da minha vida. Foi culpa sua?
Se não há nada a fazer além de esperar, esperarei... E se, ainda assim, esperar não for o suficiente, derramarei as lágrimas reservadas ao fim.

redigiu este post às 3:00 AM




[Domingo, Fevereiro 13, 2011]

A inquietude toma conta do meu corpo por completo. “Não quero ficar aqui, não quero”. Ir aonde a essa altura da minha vida? Sem ter terminado a maldita faculdade, com 22 anos e perdida um pouco por opção contra o tédio e um pouco por razões alheias à minha vontade. Mas um outro lugar, eu sei que me faria bem. Não me sinto viva entre essas paredes, entre as paredes da faculdade, entre as construções de Goiânia. Não me sinto “eu” em Goiânia desde tempos distantes. Desde que vi em uma revista que adolescentes podiam fazer intercâmbio e sair do país por longos períodos. E nem adolescente eu era ainda. Queria ir embora desde aquele momento, em breve. A família não ajudava em muita coisa, e eu precisava ficar longe deles para sobreviver. O que estou fazendo aqui a essa altura da minha vida então? Quem é mais velho dirá que sou jovem, que ainda há tempo, mas sinto que se não sair daqui no máximo em alguns meses estarei condenando minha vida a essa existência estapafúrdia e tediosa. Minha alma já está em outro lugar, o que restou aqui é uma mulher-biônica que dirige seu carro, vai às aulas, bebe pra esquecer e só. Não dá mais, estou secando aos poucos nesse sol de Cerrado incessante. Quero sentir tesão pela vida, quero emoções fortes e adrenalina, quero imprevisibilidade. Urgente, agora, rápido. Saber que o amanhã ainda é longe, que o hoje precisa de minha total atenção e que o passado, esse não importa mais.

redigiu este post às 11:39 PM




[Terça-feira, Outubro 05, 2010]

Lição a todos os meninos

Não desrespeite as mulheres. Todas as mulheres são ou têm mãe, filha, sobrinha, tia e avó. Elas tem irmãos, pais e avôs também. Você ama a sua mãe, a sua tia, a sua avó? Pois veja todas as mulheres ao seu redor pela ótica que você vê as mulheres mais importantes da sua vida. Você teria raiva se alguém as desrespeitasse ou ofendesse. Mesmo uma prostituta é alguém importante na vida de alguém. Elas também merecem todo o respeito.
Não beije mulheres que você despreza só porque elas são bonitas. Se você não gosta de alguma, respeite-a ficando longe. Você não será menos homem por recusar uma mulher. Assim como elas devem escolher, você também deve. Um beijo com amor é algo muito mais maravilhoso que aquele sem. Um toque de quem você ama será infinitamente mais prazeroso. Cada descoberta juntos será muito especial.
Não converse sobre elas como se não passassem de conquistas vazias a dar-lhe pontos por macheza. Mulheres não são troféus. Se seus amigos te considerarem "bregas" ou "caretas" por você estar se tornando um homem de verdade, apenas ignore-os. Não há nada mais importante na vida do que saber quem você é e seguir bons ideais. Não perca sua identidade tentando ser como todo mundo, pois depois que você crescer, você se sentirá mais completo.
E quando você já estiver adulto, não trate sua esposa em nenhum momento como alguém com "prazo de validade". Como você se sentiria se fosse tratado como um objeto ou um brinquedo? Com certeza muito mal. Pois é assim que essas mulheres se sentem: um objeto que caiu em desuso pelas rugas e pelos filhos que deu a você. Você também não será mais homem e nem recuperará sua juventude bebendo da juventude de outras mulheres. Não há nada mais bonito do que ir em uma praça e ver um casal enrugadinho de mãos dadas, namorando como se fosse a primeira vez que se vêem.

redigiu este post às 1:47 PM




[Sábado, Julho 25, 2009]

Quando criei este blog, eu tinha apenas 15 anos. Já havia tido uma amostra de como a realidade pode ser dura, mas também conhecia um pouco a afeição. O que prevalesceu nesses quase seis anos? Uma busca. Procurei pelo meu caminho, mesmo estando cega e sem ter ninguém para me ajudar a escolher uma direção. Porém, acho que o mais importante a ressaltar é que eu venci. O mundo não conseguiu me abater. Mesmo sozinha e machucada, eu sobrevivi, e superei a ânsia pela auto-flagelação e pela auto-piedade. Quando era mais nova, acreditava que a vida não valia a pena, e que ela sempre seria um fardo a ser carregado. Um fardo que pesaria mais a cada novo dia, a cada nova lágrima derramada, a cada nova ferida que minha alma adquirisse. Hoje, eu posso levantar orgulhosamente os olhos do chão e bradar aos céus que sim, fui nocauteada algumas vezes, mas consegui sair das profundezas da minha dor para ser alguém melhor, ou pelo menos alguém que tenta melhorar um pouco a cada novo raiar do sol. Finalmente consegui enxergar que não estou viva por mero acaso, que a vida de ninguém é perfeita e que pessoas que eu achava que nunca iriam mudar evoluíram. Meu copo não está mais meio vazio, ele está meio cheio. Há uma réstia de esperança na humanidade, eu sei que há. Há tanta bondade e tanta beleza nesse mundo se você quiser ver... Meus olhos se enchem de lágrimas só de pensar nisso. Meu único arrependimento é não ter percebido isso antes, já que se tivesse, as coisas teriam sido diferentes: eu teria procurado felicidade, com fé em sua existência. Eu teria, também, tentado trazer mais felicidade àqueles que estavam a minha volta. Mas não se pode viver de "e se". Tudo o que posso fazer é agir dessa maneira a partir de agora. Lembro de uma frase que li quando era ainda mais nova que 15 anos, ela dizia que a felicidade é um caminho, não um destino. A frase é verdadeira, basta encontrar o caminho certo.

redigiu este post às 3:56 AM




[Sábado, Julho 05, 2008]

Eis uma prova do meu sangue envenenado... Por feridas abertas, por amores passados... Uma pequena amostra da crueldade na Terra, nas lágrimas que não secam mais. Eu amei vocês, eu deixei de me amar, e tudo que restou foram rosas secas. Pétalas do inconcebível, do amanhã que se alterou no ontem, da busca infrutífera. Alguém chorará por mim, ou pelo que eu poderia ter sido? Minha fraqueza com armadura de esperança, esses espinhos quebradiços, mais e mais. O cruel acaso amaldiçoou a criança como pedra que a água bate, a adolescente como areia que os outros pisam e a jovem para se fazer as próprias cinzas. Resta saber se a sua última coragem é para o seu fim.


*By Cristine*

redigiu este post às 7:05 PM




[Terça-feira, Abril 22, 2008]

Ode a um passado recente

Obrigada por me libertar. Eu sei que você me amou, talvez até ainda ame, mas seu rancor sufocava além do que eu podia suportar. Ainda me sentia presa a você, nos meus sonhos você me perseguia, me aniquilava. Suas palavras me cortaram. Vi uma face que havia apenas pressentido durante todo nosso tempo juntos. Digo que te amei, daquela maneira inconstante própria de mim. Digo ainda que nunca quis te fazer chorar. E vê-lo chorar uma última vez foi um dos piores momentos da minha vida. Queria chorar também. Mas eu precisava ser forte. Ainda preciso ser, todos os dias muito forte, para te esquecer. Não esquecer para nunca mais lembrar, apenas esquecer para poder seguir em frente. Esquecer por enquanto. Um dia quero sentir a doce nostalgia pelo seu beijo, pelo seu abraço e pelo seu sorriso. Pelos seus olhos... Seus verdes olhos de menino...

*By Cristine*

redigiu este post às 5:44 PM




[Domingo, Abril 06, 2008]

Um cavaleiro errante que surge na calada da noite. A mocinha despedaçada que esconde seu sorriso. Olhares que se encontram, por várias vezes, sem que um consiga desvendar o outro. Surge o doce mistério a acalantar seus pensamentos mais íntimos: "Quem é ela?"; "Quem é ele?"; "Por que não consigo párar de sentir essa estranha vontade de me aproximar?"... Não sabiam que estavam em igual situação até o primeiro beijo. E as coisas passaram a se encaixar, sem precisar de muito esforço. Inferno que se transforma em Éden, como se todos os receios pudessem ficar para trás, sem pestanejar. A armadura do cavaleiro foi transposta pela mocinha de olhos castanhos, mas com sua incansável espada ele jurou resguardá-la de qualquer mal que a afligisse. Quase como uma oração ao destino, a mocinha agradeceu por poderem sorrir juntos, embalados pelo longo uivo da madrugada.

*By Cristine*

redigiu este post às 12:42 AM




[Domingo, Março 16, 2008]

Palavras e sentimentos soltos ao vento. Uma morte interna, uma reviravolta indesejada. Um eu que não existe mais. Experimento uma avalanche de descobertas. É possível encontrar sua felicidade em outra pessoa? Será que foi isso que andei procurando? Por isso dá errado? E felicidade afinal, o que diabos seria? Alguém a conhece? Perguntas também em vão, desconexas entre si. Onde me encontro agora, nesse inferno que aceitei... Quero me sentir segura, não quero me prender. Não quero aceitar o que sinto, mesmo não conseguindo impedir. Quero fugir, mas não quero me perder. Algum dia sonho conseguir me guiar sozinha, porém não solitária...

redigiu este post às 2:00 AM




[Terça-feira, Março 11, 2008]

DOR

Thalles não queria acordar. Seu espelho não o fazia se sentir bem como antes. As conversas, nem sabia mais distinguir quais eram reais e quais eram imaginárias, ninguém mais importava. Bem, quase ninguém. Havia aquela moreninha de cinco anos, que o idolatrava. Sempre que olhava para ela se sentia melhor. Era como ver a si mesmo, tão parecidos os seus rostos. Adorava quando ela corria em direção aos seus braços, deixando de lado até sorvete! Sabia que seu amor era incondicional, como a fazia sorrir. Faria qualquer coisa para ver seu lindo sorriso infantil. Mas ultimamente nem sua irmãzinha funcionava. Na verdade, preferia nem pensar nela pelo que estava prestes a fazer. Não queria pensar em ninguém. Nada o satisfaria, nada. Ele percebia a gravidade do que estava acontecendo, e conseguia ver razoavelmente o choque que causaria naqueles que o amavam. O choque foi incontavelmente maior.
Naquela noite de Carnaval, era o momento certo. Não havia ninguém em casa além da menina. Viram televisão juntos, conversaram, brincaram, e finalmente a criança adormeceu. Ele fraternalmente a carregou nos braços, até a cama de seus pais. Antes de deixá-la, beijou-a a testa e disse que a amava. Pediu desculpas. Esperava que um dia ela pudesse perdoá-lo. Saiu do quarto devagar, fechando a porta. Pegou a arma do pai no armário alto, alcançando-a facilmente com seu 1,85m. Carregou o velho revólver com apenas uma bala, e então trancou-se no banheiro. Um tiro no coração foi o suficiente. O rapaz de dezenove anos estava morto. Em seu rosto uma expressão suave de alívio. Porém seu tesouro mais precioso foi abandonado naquela cama de casal.

*Em memória de Cristiano, irmão amado. Minha vida não importou para mais ninguém desde aquele dia. Sua morte foi a minha maldição.

redigiu este post às 1:59 AM